II AfroPesquisa destaca protagonismo negro e fortalece diversidade acadêmica na UFSCar
Nos dias 13 e 14 de novembro, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizou o II AfroPesquisa. O evento foi organizado pelo projeto de extensão “Espaço Seguro” com apoio do Laboratório de Atividades Humanas e Terapia Ocupacional (AHTO), do Somos Cultura, da Coordenadoria de Cultura (CCult) e da Pró-Reitoria de Extensão da UFScar (PROEX). O objetivo do AfroPesquisa é trazer visibilidade ao conhecimento negro da UFSCar a partir da produção de arte ancestral e da pesquisa.
O primeiro dia começou com duas mesas no período da manhã. Na primeira mesa, discutiu-se o tema “Resistir e (Re)Existir: Caminhos das Resistências”. Anna Carolina Santos, docente de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO), Ana Gabriela, professora, e Laura Grosso, artista e produtora cultural, participaram do debate.
Já a segunda mesa, discutiu o tema “Autonomia em Corpo e Voz: Mulheres Negras em Diálogo”, e teve como convidadas Janete Santos, artista cultural, Larissa Camargo, educadora e vereadora de São Carlos, e Maitê Freitas, jornalista, atriz, produtora e gestora cultural. Esta mesa pode ser acessada pelo canal da Coordenadoria de Cultura UFSCar no YouTube (link externo).
A programação da tarde foi iniciada com a oficina “Adinkras", que abordou a importância dos símbolos como resistência e sabedoria ancestral africana. Em seguida, os participantes acompanharam apresentações de projetos desenvolvidos pela comunidade da UFSCar. Os trabalhos abordaram desde o aquilombamento da universidade como espaço de existência e resistência, passando pela análise do racismo estrutural e das ações afirmativas em instituições federais, até reflexões sobre a formação de professores e a decolonização dos currículos.
As apresentações incluíram temáticas sobre o sofrimento ético-político e o pertencimento universitário, a história e cultura afro-brasileira na formação docente, além de questões ligadas à saúde mental e à solidão de jovens sob a ótica da interseccionalidade. A educação antirracista, ps espaços seguros e as manifestações culturais como o Bullerengue, também foram apresentadas. Análises teóricas inspiradas em Frantz Fanon, Du Bois e Mário de Andrade, bem como estudos sobre a utopia da alegria em Orfeu Negro, a exclusão em Quarto de Despejo e a colonialidade algorítmica na era digital foram outras temas apresentados. Outros relatos abordaram as dinâmicas da juventude assentada na agroecologia e um exercício etnográfico à luz das escrevivências consolidaram um panorama diverso que conecta arte, política, subjetividade e resistência.
Na manhã do segundo dia, mais duas mesas foram realizadas. Para a primeira delas, que teve como tema “Negro drama: Racismo, Necropolítica e a importância da aliança antirracista”, foram convidadas Carla Regina Silva, docente do Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCar (DTO) e Coordenadora de Cultura da UFSCar, e Sabrina Ferigato, Pró-Reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE). As docentes refletiram sobre como pessoas brancas em posições de poder podem atuar como aliadas na luta antirracista.
Para a segunda mesa intitulada “Como as produções acadêmicas negras subvertem epistemologias dominantes”, foram convidadas Joana D’Arc, docente do Departamento de História e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), Alekin Ambrósio, docente do DTO da UFSCar e Julia Silva, Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS-UFSCar).
No período da tarde, a oficina “Dançando Curas: cuidando de corpos pretos e pardos a partir das danças negras e da terapia ocupacional” foi realizada. Logo em seguida, as apresentações das pesquisas da comunidade negra da UFSCar foram retomadas. As apresentações valorizaram a narrativa feminina negra, destacaram práticas pedagógicas e artísticas voltadas à identidade afro-brasileira e trouxeram discussões sobre saúde mental infantojuvenil com saberes tradicionais de matriz africana. Também analisaram artes visuais, apresentaram reflexões internacionais e históricas, estudos de memórias e territorialidades negras, além de abordar subjetividades urbanas, fotografia como artivismo, disparidades sociais e relações entre política e personalidade.
Para a organização do evento, ao reunir pesquisadores, artistas, docentes e estudantes em torno de debates, oficinas e apresentações acadêmicas, o evento se consolida como uma iniciativa estratégica para ampliar a visibilidade das vozes negras na Universidade, promover práticas pedagógicas inclusivas e estimular reflexões críticas sobre racismo, ancestralidade e resistência. Dessa forma, a atividade enriquece o ambiente acadêmico e reforça o papel da UFSCar na construção de uma sociedade mais justa e plural.
O registro das atividades do II AfroPesquisa podem ser acessadas e apreciadas pelo perfil do instagram @espacoseguroufscar.